Desde o anúncio da contratação de Bruno Fernandes, de 32 anos, o Boa Esporte, clube mineiro da cidade de Varginha, já perdeu 4 de seus maiores patrocinadores em um verdadeiro movimento em cascata. Primeiro a fornecedora de suplementos alimentares Nutrend Nutrition. Depois anunciaram suas saídas, Magsul que prestava serviços de ressonância magnética, a Cardiocenter Varginha que fazia serviços de avaliação médica, e o Grupo Gois & Silva. Por fim, rescindiu contrato também a fornecedora de material esportivo, a Kanxa.

Além das perdas financeiras em contratos, o site oficial do clube chegou a ser hackeado e teve algumas informações do site substituídas por dados sobre feminicídio e perguntas sobre a associação das empresas ao jogador.

Toda essa situação suscita um debate muito interessante que perpassa por várias áreas do conhecimento, que vão desde o debate jurídico, sobre a reintegração dos presos à sociedade, questões morais e claro, questões esportivas. Nosso foco aqui é discutir a questão sob o ponto de vista do marketing esportivo. Muitas vezes algumas decisões tomadas pelos gestores, se não for muito bem planejada, acabam desencadeando em grandes crises institucionais e de marketing.

Cabe agora à assessoria de imprensa do clube gerenciar a crise, sobretudo nas redes sociais, e ao departamento de marketing encontrar soluções para a perda dos contratos.

Caso semelhante, abordagem diferente

Esta não é a primeira vez que isto acontece no Brasil. Outro caso emblemático é o caso do zagueiro Breno do São Paulo, que mesmo cumprindo pena na Alemanha, continuou a receber ajuda de custo da equipe do São Paulo, visando a sua futura reintegração.

Uma atitude arriscada que envolveu, também, a emoção, por se tratar de um jogador formado na base do clube e com identificação com os diretores da época. Breno foi reintegrado ao elenco em 2015 e conta com grande admiração da torcida, mesmo que ainda esteja buscando a melhor forma física e técnica após alguns anos parado

A importância da parceria

O que defendemos aqui é que a decisão de contratar ou não um atleta com um histórico extracampo deve sempre passar por um trabalho de pesquisa junto aos patrocinadores e principalmente junto aos torcedores da equipe para que a decisão seja tomada de forma mais assertiva.

As ações de marketing devem ser pensadas de forma integrada, sob o prisma de que todos os produtos e serviços que o clube e patrocinadores oferecem estão integrados, alinhados.

O Boa Esporte vive o melhor momento de sua história desde a fundação em 1947 (quando se chamava Ituiutaba). Após ser campeão da série C no ano passado, a equipe está com a participação confirmada na série B do campeonato brasileiro deste ano.

Como estratégia de defesa, o clube emitiu notas afirmando ser um apoiador dos direitos humanos e do estado democrático de direito. Ainda alega que é uma obrigação de responsabilidade social das empresas darem oportunidades aos que precisam de uma atenção maior do Estado.

Talvez o caminho para o Boa Esporte seja abraçar de fato essa bandeira, buscando a captação de patrocínios com ONGS e instituições que lutam por esta causa, até que outros patrocinadores da área do esporte retornem a investir no clube.

 

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