Sabemos que o futebol brasileiro é cheio de histórias polêmicas, e que vão muito além das quatro linhas. Quanto a isso, talvez nenhum outro “episódio” tenha rendido tantas discussões como a Copa da União, de 1987 (o Campeonato Brasileiro daquele ano).

Embora três décadas já tenham se passado, até hoje ocorrem disputas judiciais para se tentar chegar a uma definição a respeito do legítimo campeão daquela competição — além das costumeiras polêmicas entre clubes e torcedores.

E você, conhece todos os fatos que envolveram a realização da Copa União de 1987? Se a sua resposta foi não, continue lendo este texto e tire todas as suas dúvidas sobre o campeonato mais polêmico da história do futebol brasileiro!

A origem da Copa União de 1987

De fato, a necessidade de se fazer alterações no Campeonato Brasileiro era notável desde o início da década de 1980. A grande quantidade de times em cada uma das divisões, por exemplo, era um dos maiores problemas, pois deixava muito altos os custos com a competição.

Para piorar, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) modificava o regulamento constantemente, inclusive fazendo a unificação de divisões. Ações desse tipo deixavam os clubes cada vez mais insatisfeitos, e faziam com que a entidade perdesse a credibilidade.

A crise da CBF

Mergulhada em uma crise financeira e administrativa, a CBF decidiu reduzir o número de participantes do campeonato de 1987, além de querer que os clubes arcassem com as suas próprias despesas. O que não foi bem recebido pelos principais times do país, que decidiram organizar sozinhos a competição daquele ano.

A criação do Clube dos 13

Sabendo que a CBF não tinha mais condições de organizar o Campeonato Brasileiro, os dirigentes de várias equipes começaram a se articular e formaram a União dos Grandes Clubes Brasileiros — daí, aliás, surgiu o nome “Copa União”.

Popularmente conhecida como “Clube dos 13”, essa união foi composta inicialmente por apenas 12 times. Rio de Janeiro (Vasco, Flamengo, Botafogo e Fluminense) e São Paulo (São Paulo, Santos, Palmeiras e Corinthians) eram os estados com mais representantes.

Além deles, Minas Gerais (Atlético-MG e Cruzeiro) e Rio Grande do Sul (Grêmio e Internacional) completavam a lista. E, para democratizar a união, o Bahia foi convidado como representante do Nordeste, tornando-se o 13º integrante.

Os participantes e o formato de disputa da Copa União

A essa altura, o Clube dos 13 já estava consolidado e quase pronto para organizar seu próprio campeonato. Porém, com o intuito de realizar uma competição com uma quantidade de clubes que permitisse um sistema de disputa mais adequado, também na busca por mais representatividade a nível nacional, decidiu-se por convidar mais três equipes.

Ficou então definido que, além dos integrantes do Clube dos 13, Goiás, Coritiba e Santa Cruz também participariam da disputa. No entanto, ainda faltava um aspecto primordial, apoio financeiro para a realização da Copa União.

Diante disso, os departamentos de marketing de São Paulo e Flamengo — comandados por Celso Grellet e João Henrique Areias, respectivamente — começaram a trabalhar no projeto comercial da competição.

A ação conseguiu o patrocínio de grandes empresas e também da televisão — com contrato de exclusividade com a Rede Globo. E enfim, assim foi oficializada a Copa da União de 1987.

Contudo, o regulamento da competição nunca foi algo exatamente claro, pois até questões judiciais envolvendo times que tinham ficado fora da disputa influenciavam a questão. E tudo piorou quando a CBF se envolveu na realização da competição de maneira mais efetiva.

Tentativa da CBF de alterar a Copa União

A proposta da CBF era fazer dois campeonatos paralelos valendo pela primeira divisão. Denominados de Módulos Verde e Amarelo, cada um teria 16 clubes. Os times integrantes do Clube dos 13, juntamente a Goiás, Coritiba e Santa Cruz, ficaram no Módulo Verde.

Quanto aos 16 participantes do Módulo Amarelo, a CBF os escolheu de acordo com suas posições no Campeonato Brasileiro do ano anterior — exceto no caso do Sport Clube Recife, que entrou na vaga que seria da Ponte Preta.

Para a definição do Campeão Brasileiro de 1987, os dois melhores times de cada módulo deveriam participar de um quadrangular final. No entanto, o Clube dos 13 decidiu boicotar esse formato de disputa, pois não concordava com o cruzamento.

Para a organização, o campeão nacional daquele ano deveria ser o time que conquistasse o Módulo Verde. Mesmo assim, o vice-presidente do Vasco, Eurico Miranda — que representava o Clube dos 13 junto à CBF —, sem o consentimento das outras 12 equipes, concordou com a realização do quadrangular final.

Vale destacar que o Clube dos 13 não chegou a assinar o regulamento que a CBF propôs. Porém, como Eurico, falando em nome de todos os participantes do Módulo Verde, tinha dado aval para a realização do cruzamento, a polêmica estava formada.

Flamengo: o campeão da Copa da União de 1987

Mesmo com essa indefinição, as competições começaram a ser disputadas. E, assim como haviam dito que fariam, as equipes que ficaram nas primeiras colocações do Módulo Verde não aceitaram jogar o quadrangular proposto pela CBF.

Desse modo, para o Clube dos 13, o Flamengo foi o Campeão Brasileiro de 1987. Após eliminar o Atlético-MG na semifinal, o rubro-negro carioca venceu o Internacional por 1 a 0 na decisão da competição.

Para a CBF, porém, o campeão nacional daquele ano foi o Sport Clube Recife, que conquistou o Módulo Amarelo. O segundo colocado foi o Guarani Futebol Clube, de São Paulo. Inclusive, esses foram os dois representantes brasileiros na Copa Libertadores de 1988.

O imbróglio na justiça, que acontece até hoje

Com essa divergência em relação ao legítimo Campeão Brasileiro de 1987, começou uma batalha judicial que dura até os dias atuais. Mesmo após o Clube dos 13 se aliar à CBF e deixar de ser considerado uma organização independente, Flamengo e Sport nunca entraram em um consenso sobre aquele campeonato.

No mais recente capítulo desse imbróglio, ocorrido em abril de 2017, o STF (Supremo Tribunal Federal) indeferiu um recurso do Flamengo que solicitava que o rubro-negro carioca fosse reconhecido como o Campeão Brasileiro de 1987.

Com isso, oficialmente — inclusive para a FIFA (Federação Internacional de Futebol) —, o Sport Clube do Recife é o detentor do título.

De toda forma, apesar das polêmicas que envolveram, e continuam envolvendo, a competição, a Copa da União de 1987 foi um sucesso dentro de campo, e também nas arquibancadas. Naquele ano, foi registrada a 3ª melhor média de público do Campeonato Brasileiro até hoje.

Além disso, os acontecimentos futebolísticos de 1987 certamente continuarão rendendo boas conversas por muito tempo!

E aí, gostou do post? Agora, se você se interessa por histórias como essa da tão comentada Copa União de 1987, e outros assuntos relacionados ao esporte, aproveite para conferir também o poder que o marketing esportivo tem para unir empresas e clubes!

 

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