Esporte e cultura são conceitos muito próximos. Ambos são essenciais para o crescimento e o desenvolvimento das pessoas, independentemente da idade. Entender a cultura de um povo faz também entender sobre a influência da prática esportiva na sociedade.

Tanto o esporte quanto a cultura têm influência direta na formação de caráter e na qualidade de vida. Por isso, eles são tão importantes e precisam ser vistos como essenciais para todo tipo de sociedade.

No Brasil, os últimos anos foram recheados de grandes eventos esportivos e também culturais. As Olimpíadas, a Copa do Mundo, o Pan Americano e outros tantos. Isso trouxe para o país um sentimento esportista muito bonito, que deve ser fortalecido em cada um dos cidadãos.

O esporte propicia a busca por um mundo sem guerras, une as pessoas e promove a paz e a luta por questões que afligem a humanidade.

Exemplo disso foi a abertura das Olimpíadas de 2016, com a sua crítica ao aquecimento global, ao desmatamento, à escravidão e à morte de indígenas, situação que, até hoje, é uma realidade no Brasil.

A seguir, no post de hoje, veja como o esporte influencia toda a cultura de um país, desde as questões íntimas de um cidadão até os problemas estruturais e conjunturais de uma nação.

Esporte e cultura na formação do indivíduo

A primeira questão que envolve o esporte em uma associação cultural forte com as pessoas é exatamente a formação do indivíduo.

Uma criança, em meio ao esporte, elimina da sua vida vários problemas que poderiam se desenvolver se ela tivesse tomado outro caminho.

Ao entrar na vida dessa criança, o esporte a ensina a respeitar as outras pessoas, a valorizar os estudos, a ser tratada com dignidade, a ter amor-próprio e a desenvolver disciplina e paciência.

Alguns desses valores e habilidades faltam para a maioria das pessoas. Com a sociedade mais estressante do que nunca, são muitos os que não querem saber de educação, respeito, cordialidade, gentileza e organização.

É comum o sentimento de que vivemos no “mundo dos espertos”. Ou seja, se você comete algum erro, outra pessoa vai lá e toma o seu lugar sem nenhum tipo de cerimônia. E isso é ruim para as relações interpessoais em longo prazo.

Mas essas vivências podem ser combatidas com o auxílio do esporte. Fazendo uma atividade, a pessoa aprende a respeitar a liberdade do outro, perde preconceitos e também aprende que todos têm direito de ser o que quiserem.

O esporte forma cidadãos éticos, que, além de serem contra qualquer tipo de corrupção, quando veem algo errado, são os primeiros a denunciar, sempre buscando a solução para um problema coletivo.

O esporte é a cultura do bem, da vida saudável em sociedade, da paz e do amor.

O esporte contra os vícios

Além da formação individual do praticante, o esporte também modifica a realidade em que a pessoa vive.

Um exemplo muito importante é o da campeã olímpica de judô, Rafaela Silva. Ela é uma garota negra de origem pobre, nascida na comunidade Cidade de Deus, e venceu muitos obstáculos para alcançar os seus objetivos.

Rafaela é vítima de racismo e de machismo até hoje. Quando foi eliminada nas Olimpíadas de 2012, sofreu ataques que nenhum ser humano deveria suportar.

Mas ela enfrentou o preconceito, treinou e venceu. Deu um tapa de luva em pessoas que desacreditavam de seu potencial e agiam de modo ofensivo.

Em meio à realidade em que cresceu, Rafaela poderia ter sofrido com problemas relacionados ao tráfico de drogas, mas ela teve a oportunidade que muitas crianças em vulnerabilidade social, infelizmente, não têm: conseguiu participar de um projeto que a colocou no mundo do judô.

E para crianças como Rafaela, esse tipo de oportunidade é única. Então, é preciso agarrá-la e não soltar mais. E foi isso o que ela fez.

Rafaela ultrapassou uma série de obstáculos porque teve o judô ao seu lado o tempo todo. Isso fez dela uma mulher forte e corajosa, que venceu o preconceito e as dificuldades com uma medalha de ouro no peito.

Ainda com relação às drogas, existem outros problemas sociais que não atingem somente as comunidades que carecem de mais oportunidades, mas também a sociedade como um todo. 

Muitas pessoas com melhores condições financeiras e em ambientes mais estáveis entram no vício das drogas, tanto ilícitas quanto lícitas (como remédios e álcool).

Pessoas que sempre tiveram oportunidade, dinheiro, chance de ser alguém com sucesso na vida. Mas que, por algum problema no meio do caminho, foram para um lado difícil de voltar.

Também nesses casos o esporte pode ser essencial para uma reabilitação. A aproximação com uma atividade que proporcione desafios, depois do vício em substâncias químicas, oferece altas chances de a pessoa lutar contra a dependência e viver uma vida mais controlada e saudável.

O esporte prova que consegue fazer esse tipo de mudanças diariamente, e não faltam exemplos de atletas de sucesso para provar a teoria.

O esforço é necessário e duro, mas a jornada vale a pena, pois a prática esportiva pode revolucionar vidas.

O esporte nas causas humanitárias

O esporte também é importante para mudar o mundo. O exemplo da abertura das Olimpíadas de 2016, que já vimos antes, é apenas um perto de outros milhares que já ocorreram.

Quem nunca ouviu falar de Jesse Owens, o atleta negro que bateu a hostilidade do racista Adolf Hitler em plena Alemanha? 

Em 1936, ele venceu a principal prova do atletismo e, com essa vitória e um gesto simples, questionou o absurdo da supremacia branca defendida pelo ditador alemão.

O esporte também é sinônimo de solidariedade. Como esquecer a cena das Olimpíadas de Los Angeles, quando a atleta Gabriela Andersen-Schiess enfrentou seus problemas de cãibras e desidratação e terminou a prova da maratona mesmo esgotada?

Foram 90 anos de luta para que as mulheres pudessem participar de uma maratona, e a imagem da atleta é uma prova da luta por uma sociedade menos machista e mais igualitária.

Esses são apenas alguns dos fatos que provam o quanto esporte e cultura estão completamente ligados um ao outro. A prática esportiva é necessária para o desenvolvimento não só de uma pessoa e de um país, mas de todo o mundo.

Sem o esporte, a realidade seria diferente e, certamente, menos enriquecedora. Dentre os muitos exemplos de conquistas, finalizamos este post lembrando a imagem de um dos gestos mais famosos da história esportiva, feito por Tommie Smith e John Carlos, nas Olimpíadas de 1968, no México.

Os atletas, depois de receberem as suas medalhas em uma prova de atletismo, fizeram o gesto do Panteras Negras, grupo historicamente conhecido pela luta contra o preconceito racial, simbolizando o repúdio ao racismo institucionalizado dos Estados Unidos.

Como vimos hoje, o esporte influencia vidas, criando oportunidades de crescimento individual e coletivo. Nesse cenário, esporte e cultura não podem andar separados. A atividade esportiva ensina que as dificuldades fazem parte da vida e que elas podem ser superadas.

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