Com o mundo cada vez mais globalizado e uma quantidade exorbitante de informações disponíveis a qualquer momento, é muito comum que fontes acabem vazando informações sem que a mesma esteja confirmada. No caso dos clubes de futebol, o que mais gera frisson nos torcedores são as contratações de jogadores, ou simplesmente a especulação de uma grande aposta. Nesta última década tivemos alguns casos que exemplificam essa necessidade dos clubes de criar um fato novo, seja ele real ou não.

No final de 2010 e início de 2011, por exemplo, alguns clubes brigam pela contratação de Ronaldinho Gaúcho, a época jogador do Milan-ITA. Entre eles estava o Grêmio, clube formador do jogador, que acreditava ser o favorito. A certeza era tão evidente que o clube se programou para uma festa de apresentação na Arena Grêmio, chegando a encomenda sistema de som e iluminação mesmo antes da assinatura do contrato. No fim, Ronaldinho e Assis (irmão e empresário do jogador) decidiram pelo Flamengo.

Já em 2014, no auge das redes sociais, o presidente do Atlético-MG Alexandre Kalil, assim como havia feito em outras contratações, fez um anúncio em seu Twitter que ficaria marcado: “Anelka é do Galo!“. Tal anúncio criou uma grande expectativa não só em torcedores do Galo, mas no público de futebol como um todo. Mas a precipitação do anúncio caiu por terra alguns dias depois, quando o gerente de futebol concedeu uma entrevista coletiva para informar que o clube havia desistido do negócio.

No início desse ano houve um caso semelhante ao do Anelka. Um empresário ofereceu Didier Drogba ao Corinthians e a diretoria de marketing gostou da idéia. Após algumas negações sobre o negócio e muita empolgação da torcida, o clube assumiu que estava próximo de fechar o acordo. Viagens foram feitas para conversar pessoalmente com o jogador e seu representante, e-mails foram trocados, camisas com o número e nome do jogador foram produzidas e colocadas a venda em lojas ligadas ao Timão, até que, após alguns dias de suspense, o clube resolveu encerrar as tratativas alegando que o jogador teria outros projetos como prioridade.

O que o marketing espera com isso

Em situações como essas, onde há um desejo muito grande da torcida e exposição de mídia falando do atleta, o jogador passa a ser um ativo enorme do clube. Claro que é importante avaliar as questões técnicas do jogador, mas avaliando meramente os aspectos comerciais e de marketing, o potencial de negócios do clube aumenta consideravelmente. 

Com um chamariz nas mãos, os departamentos de marketing dos clubes buscam gerar receitas com vendas de camisas, exposição da marca, expandir a marca internacionalmente, aumentar cotas de patrocínios, aumentar bilheteria, expandir o programa de sócios torcedores, e inúmeras outras formas de comercializar e ativar a imagem desse atleta juntamente a do clube. 

É importante citar também, que essa admiração é baseada no passado glorioso do atleta, seja em outros clubes ou no mesmo clube. Mas se tratando de esporte, que envolve paixão e emoção, o torcedor exigirá um retorno técnico além do marketing, já que o que move esses sentimentos são as vitórias e os títulos.

Casos de sucesso

Durante boa parte do segundo semestre de 2008 Ronaldo Fenômeno treinou no CT do Flamengo criando expectativas na torcida local, principalmente pela identificação declarada do jogador com clube. Mas em dezembro, para a surpresa de todos, após não receber nenhuma proposta concreta do time do Rio, Ronaldo fechou com o Corinthians. O clube tinha acabado de subir para a primeira divisão e estava reformulando todos os departamentos ligados ao futebol.

A sacada do departamento de marketing do clube foi importantíssima para essa reconstrução. Importante citar alguns aspectos que foram influenciados com essa contratação: visibilidade aumentou absurdamente, tanto no Brasil quanto no exterior; o valor da “marca Corinthians” teve um acréscimo importante, levando vários patrocinadores a se juntarem à marca; jogadores de qualidade viram como oportunidade o fato de atuar ao lado do ídolo nacional e mundial; as camisas tiveram um aumento de 50% na procura; e Ronaldo usou de sua expertise para ajudar no planejamento da estrutura que é usada nos dias de hoje. Sem contar que os títulos conquistados entre 2011 e 2015 têm muito a ver com esse projeto arquitetado com a chegada do Fenômeno.

Outro caso importante foi a parceria entre Botafogo e Seedorf. Um time que vive há anos na sombra de seus rivais, tanto tecnicamente quanto economicamente, conseguir contratar um dos maiores ídolos de sua geração é bastante louvável. A euforia foi tão grande que, pouco mais de três meses após a contratação do holandês em meados de 2012, o número de sócios torcedores do clube triplicou, segundo o diretor de marketing da época, Marcelo Guimarães.

Além de todos os efeitos mercadológicos que envolveram Seedorf, ainda houve uma mudança de mentalidade e atitude tanto de diretoria quanto jogadores, que assimilaram a experiência do jogador e souberam usufruir.

 

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